quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Figuras tristes



«A campanha de Alegre mete dó. Não apenas pela forma desesperada como o bardo vai rapando o latão do lixo dos escândalos pífios (o ‘caso BPN’, o ‘caso das escutas’) para atacar Cavaco. Mas porque o homem nem se apercebe que o seu principal adversário não é Cavaco; é o PS, que o deixou entregue ao seu destino, sem se comprometer com a campanha. Não é preciso olhar para as sondagens para saber que o largo do Rato não morre de amores pelo seu candidato. Basta acompanhar as suas deambulações: todos os dias, as televisões apresentam as ‘arruadas’ de Alegre. E o que espanta é a ausência. Quando muito, Alegre tem meia dúzia de gatos pingados que o ouvem entre o bocejo e o ronco. Como foi possível chegar a isto? Fácil: pela alienação de todas as partes. A esquerda ‘independente’ que o apoiou em 2005 não lhe perdoou a rendição; e o aparelho não lhe perdoou a independência de 2005. Alegre não é apenas um homem só; é, coisa mais triste, uma contradição ambulante.»

[JPC, no Correio da Manhã]

1 comentário:

António Ferreira disse...

Tens a mania de acertar sempre. Que inveja!