A 'ISLAMOFOBIA' é uma nova forma de antisemitismo? Rui Tavares, que se apresenta por aí como ‘historiador’, diz que sim: aqueles que proíbem minaretes na Suíça são tão intolerantes como os nazis que exterminavam judeus na 2ª Guerra. Não vale a pena dissertar sobre a natureza imoral da comparação. Melhor perguntar ao ‘historiador’ quantos atentados terroristas os judeus alemães cometeram na década de 30 em nome de uma interpretação fundamentalista da Torah. A decisão dos suíços é obviamente absurda. Mas ela nasce de um medo real e não de uma mentira fabricada: o medo do terrorismo islamita. Atenção aos termos: a relação não é entre o islamismo e o terrorismo; é a inversa – uma fatalidade que, presumo, não é culpa dos suíços. Misturar tudo para alegar um novo antisemitismo apenas serve para revelar os contornos do velho.
[JPC, Correio da Manhã]
sábado, 19 de dezembro de 2009
Democracias parlamentares
MARCELLO CAETANO costumava dizer que os portugueses não estavam talhados para democracias parlamentares. Os ingleses, com certeza. Mas nós? Ignorantes e incivilizados? Sempre deplorei a tese: como alguém dizia, a democracia é o pior regime, com a excepção de todos os outros. Infelizmente, o PS não concorda e subscreve a versão antidemocrática do prof. Marcello. Ao persistir na lamúria contra a oposição e ao tentar arrastar pateticamente o Presidente da República para o ringue, o PS confessa que só existe um tipo de poder que se ajusta aos portugueses: o poder absoluto, sem espaço para ‘diálogo’, ‘vigilância’ ou ‘negociação’. O Parlamento, na concepção do PS, não passa de um empecilho, que o eng. Sócrates suspendia de bom grado. Sim, o país mudou no 25 de Abril. Pena que o PS de hoje tenha ficado no dia 24.
[JPC, Correio da Manhã]
[JPC, Correio da Manhã]
Supremo
SALVO ERRO, ainda não vi gente em pranto, rasgando-se, aos saltos, por causa da intervenção do sr. presidente do Supremo Tribunal de Justiça, num dos ataques mais frontais à liberdade de imprensa. Que um trauliteiro o faça, munido dos instrumentos habituais, estamos habituados; que um presidente do Supremo Tribunal de Justiça peça um tribunal de excepção — digamos, um Tribunal Plenário — que integre a «estrutura política do Estado» (políticos nomeados pelo governo?, pelo Parlamento, pela vizinhança?) para julgar a imprensa e os jornalistas, é não apenas grave como estapafúrdio.
[FJV]
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