sábado, 8 de maio de 2010
Sugestões I
Este livro relata-nos essa "improvável aventura" através da pena de dois dos seus recomendáveis militantes: Paulo Bárcia e António Silva.
A ler, especialmente se viveu com interesse e intensidade, o pós-25 de Abril de 1974.
[FTM]
Acção directa

sexta-feira, 30 de abril de 2010
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Lá como cá...
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«Intolerâncias»
É evidente que este reconhecimento súbito do estado em que nos encontramos não deixa de ser salutar, sendo de esperar, nomeadamente por parte dos sindicatos, exemplos futuros de responsabilidade e compreensão pela situação em que se encontram as finanças públicas e a economia portuguesa. Custa-me a crer que sindicalistas, tão atentos aos custos da visita do Papa, se entretenham depois a promover greves que, para além de não levarem em linha de conta a crise em que nos encontramos, não contribuem certamente para o dito aumento da produtividade. Tudo isto seria um pouco ridículo – e é – se por trás destes nobres objectivos não se escondesse o velho preconceito contra a Igreja e o zelo anticlerical de meia dúzia de figuras públicas, sempre em busca de crucifixos nas escolas e de outros sinais religiosos no espaço público. Ao contrário do que tem sido dito, o que está em causa não é a neutralidade do Estado em relação às diversas religiões, mas a incapacidade de perceber que, num país de tradição católica, o Papa não é um "líder religioso qualquer", como tem sido amplamente referido.
Pretender equipar a visita de Bento XVI à visita de qualquer outro líder religioso (hindu ou muçulmano, como já vi defender) é não compreender a realidade portuguesa e desconhecer totalmente a sua história. Há uma ligação entre o País (e o ocidente, em geral) e a Igreja que um Estado laico deve saber reconhecer. Um Estado laico não é sinónimo de um Estado anti-religioso, incapaz de compreender a dimensão pública da fé. E a crer nalgumas coisas que por aí têm sido escritas, dá ideia de que o Papa, não lhe sendo retirado o direito de viajar pelo mundo, devia ter, pelo menos, a decência de o fazer clandestinamente. De forma a não importunar ninguém. Porque o problema é que este Papa, em particular, importuna.
[CCS, Correio da Manhã]
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
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domingo, 11 de abril de 2010
Arranjos económicos, arranjos políticos, arranjinhos

Por que será que quando ouço um empresário português discretear sobre as soluções para os arranjos económicos (não sobre a economia), ouço também — como uma espécie de ruído de fundo – os arranjos políticos que lhe estão na base? Por outro lado, quando um empresário se propõe defender os interesses do Estado, é como se ele estivesse realmente lá dentro, manobrando a máquina propriamente dita. Golden share é isto mesmo: «Ai o que será de nós se se acaba a golden share?»
[FJV]
quarta-feira, 7 de abril de 2010
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quarta-feira, 31 de março de 2010
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segunda-feira, 29 de março de 2010
«A receita»
Se afastar os inimigos internos, Passos Coelho fará com os outros o que Ferreira Leite fez com ele: uma espécie de nobilitação à dissidência. E se apostar no atrito político para derrubar Sócrates, o novo PSD estará a fazer um favor ao velho PS. Porque será a economia, e não a política, a selar o destino do primeiro-ministro.
Esperar sem se comprometer podia não ser a receita do ‘jovem’ Passos Coelho. Resta saber se o ‘jovem’, entretanto, vai crescer.»
[JPC, Correio da Manhã, 28/3/2010]
quarta-feira, 24 de março de 2010
Google v. China

terça-feira, 23 de março de 2010
«Três saídas»
E não conseguirá evitar porque o documento é uma colecção de remendos para tapar o buraco das contas públicas. Sobe-se aqui (impostos), corta-se ali (subsídios vários), vende-se mais além (privatizações) e, nos intervalos, reza-se: para que a economia, que não cresceu em tempos de vacas gordas, desate agora a crescer no tempo das magras. No meio do circo, não existe uma única ideia consequente sobre a necessidade de redimensionar um Estado que consome de mais, faz de menos e gasta o que não pode.
Como diria um conhecido economista brasileiro, os portugueses de hoje têm três saídas: a liberalização do Estado; o Aeroporto da Portela; ou o Aeroporto Sá Carneiro. O resto é ruído.»
[JPC, Correio da Manhã, 20/3/2010]
domingo, 21 de março de 2010
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sábado, 20 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
O Congresso e a Rolha

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segunda-feira, 15 de março de 2010
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«Creche e aparece»
O discurso de Ferreira Leite, pelo contrário, foi simultaneamente triunfal e trágico. Triunfal, porque foi possível ver, talvez pela última vez, uma mulher sem carisma mediático a repetir o que hoje é consensual: o Estado caminha para a falência; os partidos estão em descrédito; o regime está atolhado em falsidades. Mas quem, há cinco meses, esteve interessado em ouvir este sermão?
O lado trágico está aqui: as eleições não se ganham com verdades; ganham-se com mentiras porque os portugueses preferem-nas. E se existiu erro no consulado de Ferreira Leite foi o de sobrevalorizar a maturidade dos portugueses; a crença ingénua de que era possível falar para adultos. Não é.
Para regressar ao poder, não basta ao PSD eleger um líder e esperar que o eng. Sócrates caia da cadeira. É preciso nivelar o discurso com a idade mental do eleitorado.»
[JPC, aqui]
sábado, 13 de março de 2010
Avisam-se as tropas...
terça-feira, 9 de março de 2010
«Ausência de alternativa»
É verdade que, nos últimos tempos, as demissões extemporâneas do eng. Guterres e do dr. Durão Barroso vieram dar corpo a esta tese. Com os lindos resultados que se viram, diga-se de passagem. Mas estes dois exemplos – e, se quiserem o do prof. Cavaco Silva que decidiu não se recandidatar em 95 – não justificam, por si só, uma tese que assenta, antes de mais, num dado nem sempre adquirido que é a demissão do primeiro-ministro. Basta ver o resultado das últimas eleições legislativas para se perceber que as coisas não funcionam assim de forma tão simples: embora o PS tenha perdido a maioria absoluta e um número significativo de votos, o PSD não só não beneficiou disso como teve um dos piores resultados de sempre.
Porque o povo é estúpido, como afirma Vasco Graça Moura? Não, porque os eleitores, na sua maioria, não viram no PSD uma alternativa ao Governo do eng. Sócrates, nem se reconheceram na campanha eleitoral do partido – uma campanha de tal forma desastrada que, agora, tarde e a más horas, até o dr. Paulo Rangel, o presumível herdeiro da dra. Ferreira Leite, achou por bem distanciar-se da estratégia adoptada para as legislativas.
Neste sentido, a sondagem publicada, na semana passada, pelo ‘Público’, onde a maioria dos inquiridos considera que o eng. Sócrates mentiu ao Parlamento sem que isso os impeça de lhe dar uma maioria folgada nas legislativas, caso estas se realizassem agora, também dá que pensar. Porque o povo não é muito sensível à mentira? Porque acha que todos mentem? Porque não tem particular apreço pelo Parlamento e por tudo o que por lá se passa? Haverá de tudo isto um pouco. Mas basta olhar para a campanha interna do PSD para se perceber que o partido não é mais do que um poço de intrigas, dominado pelo aparelho e por meia dúzia de baronetes que se julgam imunes a toda e qualquer responsabilidade.
O resultado é um espectáculo penoso entre três candidatos que não se distinguem por uma ideia e se desdobram nas mais despropositadas propostas. Um partido assim não oferece garantias de nada e não é alternativa a coisa nenhuma.»
[CCS, Correio da Manhã]
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A sua criatividade pedagógica resistiu à passagem do tempo e obras como o “Elogio da Loucura”, o “Modo de orar a Deus”, os “Adágios” e os “Colóquios”, continuam a ser apreciados, traduzidos e comentados. Algumas citações de Erasmo:
terça-feira, 2 de março de 2010
«A histeria de novo»
Para começar, convém dizer que as intenções da Comissão eram, já de si, insondáveis. Discutir, em abstracto, a liberdade de expressão sem especificar os limites do debate nem as condições em que este se exercia permitiu que coubesse lá tudo e mais alguma coisa: das manobras do primeiro-ministro à inverosímil "cabala" atribuída ao Presidente da República, passando, quem sabe, pela "ditadura da maioria" dos idos de Cavaco Silva. Perante a ausência de objectivos determinados, nada garante que a lista das pessoas a ouvir não possa vir a atingir proporções épicas e que, dentro de um ano, ainda estejamos às voltas com os mais diversificados atropelos à liberdade de expressão que se verificaram ao longo da nossa história.
Em segundo lugar, também não é fácil perceber o critério que presidiu à escolha das personalidades convocadas, nomeadamente à dos jornalistas. Pelo que percebi, e posso ter percebido mal, cada partido escolheu os jornalistas que lhe convinha, o PSD as hipotéticas vítimas, o PS os supostos amigos e o Bloco, beneficiando da confusão reinante, os que podiam comprometer o Presidente da República. Esta mistela, como é bom de ver, não augurava nada de particularmente bom. Infelizmente, o que se seguiu ultrapassou as piores expectativas. E se os políticos, para variar, se têm saído mal de todo este imbróglio – basta ver a incompetência da generalidade dos deputados a quem está entregue esta Comissão – não se pode dizer que os jornalistas tenham primado pela elevação.
O que se assistiu nesta primeira semana de audições é apenas um sinal do que nos espera nos próximos tempos: uma série de egos desorbitados, várias acusações fúteis e os previsíveis ajustes de contas de que ninguém sai a ganhar. Eu sei que, neste momento, Mário Crespo é uma das vítimas da liberdade e que nessa qualidade deve, segundo alguns teóricos, ser alvo da solidariedade de todos quantos não estão "vendidos" aos interesses do engº Sócrates. Ora, eu não estou, nem nunca estive "vendida" aos interesses do engº Sócrates, mas considero que a actuação de Mário Crespo na Comissão de Ética foi um exercício deplorável que enxovalha o jornalismo e a Assembleia da República. Um exemplo, como já disse, da histeria que hoje em dia reina em Portugal.»
[CCS, Correio da Manhã]
«A trela invisível»
Infelizmente, esta informação simplória foi recusada ao Parlamento e aos portugueses. O Bloco de Esquerda requereu (várias vezes) uma lista com as despesas em publicidade efectuadas em 2008/09 por ministérios, institutos ou empresas do Estado. Meses depois, o governo admite que não sabe, não quer saber e tem raiva a quem sabe. ‘Não há registos’, diz o ministro Lacão, uma resposta que faria sentido em Chicago, nos anos 20, e não num país da União Europeia, em 2010.
Percebe-se: se não há registos, não há abusos; se não há abusos, não há problemas; se não há problemas, tanto barulho para quê?»
[JPC, Correio da Manhã]
sábado, 27 de fevereiro de 2010
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Música política

domingo, 21 de fevereiro de 2010
Sugestões

sábado, 20 de fevereiro de 2010
Sentido de Oportunidade - II
Verdade seja dita que não vi as declarações do representante da QUERCUS e, às vezes, a forma como se diz e o que se diz, matam o que se queria/deveria dizer.
Sentido de oportunidade
[FJV]
Helena

Por motivo de doença, João Pereira Coutinho não participa no programa deste fim-de-semana; em sua substituição junta-se à mesa Helena Matos. Bem-vinda. E rápidas melhoras para o João.
Ética e liberdade e comissão de inquérito. Tudo na Bimby.
É visível, finalmente, que o debate sobre a liberdade de expressão no Parlamento está a seguir o caminho esperado, o da dissolução pura e simples. A liberdade de expressão — reduzida à questão da «liberdade de imprensa» — não é coisa para discutir no parlamento, entre pares com telhados de vidro e departamentos de comunicação & imprensa. Chamar este ou aquele, ouvir considerações, exemplos que dão vontade de rir, proclamações de ética geral, é mais do que metade do caminho para não chegar a lado nenhum. Ora, não chegar a lado nenhum, se não me engano, é coisa que favorece o estado de coisas. Para quem criticou a declaração do primeiro-ministro, bem pode limpar as mãos na parede. Ficámos cientes. Mas, pior do que isso, é transformar epifenómenos políticos em tramóias criminais e juntar tudo na Bimby. Velocidade turbo.[FJV]
Parabéns a vocês
Quando a oposição avisou que vinha aí uma comissão parlamentar, eu tremi. Quando acrescentou que a comissão parlamentar iria discutir a liberdade de expressão em Portugal, desmaiei. Discutir a liberdade de expressão, de tão absurdo e vago, significa não discutir nada de especial.No limite, o exercício permite apenas números de pantomina, ajustes de contas e meras exibições de estados de alma, que não tocam no nervo essencial. E o nervo, convém lembrar, é conhecer as predações económicas do Estado nos órgãos de comunicação social, o primeiro passo para condicionar (e, em certos casos, eliminar) a proclamada liberdade de expressão. Por outras palavras: o condicionamento da liberdade de expressão será sempre um fim, e não um meio, de um poder político que não conhece os seus higiénicos limites. Sem separar as águas e definir, com rigor, o objecto da investigação, o resultado não podia ser outro: uma coisa pastosa e nula, que suja mais do que limpa. A oposição está de parabéns e o governo, como sempre, agradece.
[JPC, aqui]
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Mini-leituras
Não sendo muito dado à filosofia, não posso, desta vez, deixar de saudar o texto de José Gil na revista Visão. O título não ajuda: «O não-dito da suspeita», mas a primeira frase arranca bastante bem: «Desenvolve-se actualmente no Ocidente, um processo inexorável de erosão da democracia», e vai por aí fora. Basicamente, do seu lado, fica a conhecer uma visão panorâmica da realidade em que estamos mergulhados, cheia de significado e significados.No post «Dissolvências» no blog Funes, el Memorioso , cuja leitura igualmente se recomenda, num texto brilhante e e contundente, afirma-se: «Se quisermos voltar a dar às instituições um módico de dignidade e de decoro, ninguém - absolutamente ninguém - pode, no topo da hierarquia do Estado, permanecer onde está. Tem que haver uma varridela geral. E os lugares todos desinfectados com creolina, antes de voltarem a ser ocupados.»
Será, de facto assim? Não será uma questão de erosão e sim de dissolvência?
[FTM]
Uma parábola
[FJV]
Na sondagem
- Sim > 17%
- Não > 61%
- Deve submeter uma moção de confiança na AR > 14%
- A questão não se coloca > 5%
Um cheque em branco
E o rebanho? O rebanho parece disposto a caminhar para o matadouro, ignorando por completo esse fantasma tremendo que se chama ‘dia de amanhã’. Porque existem ‘dias de amanhã’ que o PS, logicamente, desconhece. Que fará o PS, este PS comprometido e arregimentado, se a imprensa continuar a retirar da cartola coelhos que mais parecem ratazanas? Que fará o PS, este PS silencioso e timorato, quando a degradação política, já alarmante, atingir níveis insuportáveis? Fingir que não tem nada a ver com nada?O PS não se prepara para apoiar Sócrates. Prepara-se, coisa pior, para lhe passar um cheque em branco sem exigir fiador. É o princípio da falência partidária.
[JPC, aqui]
Vida privada, vida íntima
«Há uma distinção importante que não tem sido feita em toda esta temática e que é importante: "Vida privada" não é "Vida íntima"- são esferas diferentes. E há elementos da "vida privada" dos governantes, designadamente os amigos que têm e os "esquemas" de que vão tendo conhecimento, que não são despicientes para a avaliação política.
Por outro lado, não deve ser o "segredo de justiça" visto como uma vaca sagrada que importa proteger a qualquer custo. É um segredo que deve ceder perante valores mais altos, como em qualquer caso de colisão de direitos.
E o que temos visto é que o segredo de justiça está a ser usado como um escudo protector perante revelações politicamente catastróficas...»
O debate
[FJV, aqui]
Leituras
José Medeiros Ferreira
«A questão é política e deve ser tratada como tal. Não faz por isso sentido o argumento formalista, que manda aguardar pela reunião da assembleia-geral da empresa. Uma coisa é clara: quanto mais tempo demorar o silêncio do primeiro-ministro sobre o tema, pior. O ónus da explicação está do seu lado e Sócrates tem demorado demasiado tempo a responder.»
Pedro Adão e Silva
«O primeiro-ministro não vai deitar a toalha ao chão mesmo que seja expulso de São Bento com alcatrão e penas. A resiliência é o seu traço de carácter mais interessante, o único em que alcançou grandeza. Não o veremos lamentar, como Guterres, a pátria que não o merece. Sócrates não será embaixador na ONU, alto-comissário para os pobrezinhos, nem eminência parda do auxílio à Serra Leoa. Pelo contrário, vai atazanar o país nos próximos dez anos, ainda que o país não o queira e o abomine. A sua sombra vagueará pelo PS como o espírito mau da defunta Rebecca em Manderley.»
Luís M. Jorge
O ponto da situação.
[FJV]
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Raciocínios não jurídicos
E na investigação criminal, as escutas telefónicas só são autorizadas quando se investigam crimes puníveis com penas superiores a três anos de prisão e, não sendo um meio de prova proibido, deverão sempre ser consideradas um meio de prova excepcional. Em rigor, deveriam ser um último recurso da investigação, quando não fosse mesmo possível recolher prova de outra forma e houvessem sérios indícios de que a intercepção iria produzir frutos.
As escutas telefónicas desnudam-nos. E só nos devemos desnudar voluntariamente. Ponto final.
Infelizmente, no nosso país, como é frequentemente referido em público, tem havido um recurso cada vez maior e mais facilitado às escutas telefónicas, usando-se este método de investigação criminal mais como uma rede de pesca do que como um arpão. Com o risco de se adoptar o princípio de que tudo o que vem à rede é peixe ...
E daí que sejam lógicas e susceptíveis de serem subscritas por qualquer pessoa de boa fé, posições de princípio tais como as que se cristalizam na afirmação de que “as escutas ou têm relevância criminal (foi para isso que elas foram autorizadas) ou não têm qualquer relevância”.
E, não há dúvida, de que o poder judicial, a quem são confiadas as escutas telefónicas, tem um particular dever de respeitar e guardar a confidencialidade e o sigilo das escutas efectuadas, como tem o dever de assegurar o segredo de justiça.
Suponha-se, agora, que não o faz. Que as escutas telefónicas ou peças processuais em segredo de justiça são transportadas para fora dos espaços onde são supostas estar. Suponha-se, ainda que essas escutas revelam conversas que, não sendo criminais, são graves. Graves e relevantes politicamente, socialmente, humanamente. Tendo em conta as pessoas envolvidas, os temas discutidos ou as acções realizadas. O que fazer com tal informação?
O problema do acesso à informação coloca-se, hoje em dia, com particular acuidade nas sociedades democráticas já que, não obstante o acesso estar muito facilitado e generalizado, a complexidade do sistema do poder politico e económico permite a utilização de “cortinas de fumo”, biombos e outros artifícios que impedem o cidadão comum de saber minimamente o que se está a passar ou o que se passou.
Para além daquilo a que infelizmente podemos chamar o “folclore democrático”, que facilmente chega a todos, sob as mais variadas formas e feitios, há um vastíssimo número de negócios e negociatas, arranjos e arranjinhos, vergonhas e pouca-vergonhas que escapam a todos nós, contribuintes, eleitores e cidadãos. E, são, muitas vezes, estas realidades ocultas que determinam mil e um acontecimentos relevantes para a nossa existência. Pode dizer-se, e certamente com razão, que o exercício do poder politico e económico sempre terá sido assim. Sempre terão havido “manobras de bastidor” e “jogos de sombra”, sendo que ao “pagode” basta dar o pão e o circo.
Mas a democracia tem este “pequeno” problema: todos somos legitimamente interessados no exercício do poder pelos eleitos. Fomos nós que os colocámos lá. Ou que não conseguimos evitar que lá fossem colocados. Aquilo que eles fazem, salvo naturalmente o que respeita à sua vida privada, diz-nos directamente respeito.
Mas voltando às escutas. Suponha-se que estas carregam em si o pecado original: constituem uma violação da privacidade, realizadas com o fim de revelar a prática de crimes, mas foram desviadas desse fim, revelando-nos uma realidade bem diferente da que nos foi apresentada pelo poder? E não falamos das corriqueiras mentiras dos políticos e do poder, das promessas não cumpridas, dos pequenos fretes e favores, do triste e vulgar mercado de consciências. Falamos de conversas que indiciam manipulações de larga escala, recorrendo a meios e a dinheiros públicos, com vista a perpetuar o poder dos políticos que se sentam nas cadeiras do dito cujo.
Nada que se aproxime do crime de atentado contra o Estado de Direito praticado por titulares de cargos políticos, figura criminal, aliás, de absoluta inutilidade pela vagueza dos conceitos que utiliza. Mas que indiciam um ambiente malsão, mostrando que nos corredores do poder circula gente a quem não convidaríamos para jantar em nossa casa, apesar de terem dinheiro para jantar diariamente nos melhores restaurantes.
Seria tal informação publicável? A questão pode ( e deve) pôr-se em termos individuais e não jurídicos: se qualquer um de nós recebesse um CD com gravações de conversas chocantes, não sobre a vida íntima da vizinha, mas sobre comportamentos e actuações duvidosos daqueles que elegemos e nos governam, ou daqueles que, não tendo sido eleitos, ocupam cargos dominantes na sociedade, destruiria o CD ou procuraria divulgar o que se passava nas nossas costas?
Mesmo sabendo que corria o risco de ser responsabilizado criminalmente por divulgar aquilo que a lei, abstractamente, proíbe, o que lhe imporia a sua consciência?
É certo que o interesse público não se confunde com um qualquer interesse do público, mas não é menos certo que são as leis que servem as sociedades e não as sociedades que servem as leis. Ou quem as faz (Público de 13/02/10).
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Não aprender grande coisa
[FJV]
Tauromaquia
[FJV]
Joe, Joe
[FJV]
Guerra é guerra.
Também aqui.
[FJV]


