terça-feira, 9 de março de 2010

«Ausência de alternativa»

«Costuma-se dizer por aí que não é a Oposição que ganha as eleições mas sim o Governo que as perde. A fazer fé nesta tese, bastaria à Oposição ficar quieta e em sossego para que o poder, mais tarde ou mais cedo, lhe viesse parar docemente às mãos sem mérito, nem esforço e sem sombra de qualquer projecto alternativo. Numa situação destas, as eleições, como é óbvio, não seriam mais do que um expediente formal que legitimariam, com o voto, uma situação sem saída.
É verdade que, nos últimos tempos, as demissões extemporâneas do eng. Guterres e do dr. Durão Barroso vieram dar corpo a esta tese. Com os lindos resultados que se viram, diga-se de passagem. Mas estes dois exemplos – e, se quiserem o do prof. Cavaco Silva que decidiu não se recandidatar em 95 – não justificam, por si só, uma tese que assenta, antes de mais, num dado nem sempre adquirido que é a demissão do primeiro-ministro. Basta ver o resultado das últimas eleições legislativas para se perceber que as coisas não funcionam assim de forma tão simples: embora o PS tenha perdido a maioria absoluta e um número significativo de votos, o PSD não só não beneficiou disso como teve um dos piores resultados de sempre.
Porque o povo é estúpido, como afirma Vasco Graça Moura? Não, porque os eleitores, na sua maioria, não viram no PSD uma alternativa ao Governo do eng. Sócrates, nem se reconheceram na campanha eleitoral do partido – uma campanha de tal forma desastrada que, agora, tarde e a más horas, até o dr. Paulo Rangel, o presumível herdeiro da dra. Ferreira Leite, achou por bem distanciar-se da estratégia adoptada para as legislativas.
Neste sentido, a sondagem publicada, na semana passada, pelo ‘Público’, onde a maioria dos inquiridos considera que o eng. Sócrates mentiu ao Parlamento sem que isso os impeça de lhe dar uma maioria folgada nas legislativas, caso estas se realizassem agora, também dá que pensar. Porque o povo não é muito sensível à mentira? Porque acha que todos mentem? Porque não tem particular apreço pelo Parlamento e por tudo o que por lá se passa? Haverá de tudo isto um pouco. Mas basta olhar para a campanha interna do PSD para se perceber que o partido não é mais do que um poço de intrigas, dominado pelo aparelho e por meia dúzia de baronetes que se julgam imunes a toda e qualquer responsabilidade.
O resultado é um espectáculo penoso entre três candidatos que não se distinguem por uma ideia e se desdobram nas mais despropositadas propostas. Um partido assim não oferece garantias de nada e não é alternativa a coisa nenhuma.»

[CCS, Correio da Manhã]

3 comentários:

floribundus disse...

lixaram os contribuintes
agora que se lixem

estou farto deste lixo humano

Fernando Frazão disse...

O Parido oferece garantias e das boas.
Ao CDS.

Francisco Castelo Branco disse...

É como dizer que o Benfica só vai ganhar o campeonato porque o FCP está fraco...

O PSD não se preocupou em tentar ser alternativa. Perdeu tempo outras coisas de menor importancia, principalmente por arranjar lideres para o futuro e não para o presente.
Havia sempre alguem à espreita : Menezes, Santana lOpes e Passos Coelho.

E porque é que ficaram à espera? Porque sabiam de antemão que o PSD iria perder eleições.

É bom que depois de dia 26 de Março já não haja mais Marcelos...perdão D. Sebastiões no PSD!